AMIGOS OBTUSOS

A

Chegar tarde à caminhada matinal no Bosque tem suas desvantagens.

Pode-se perder a última fofoca, ficar por fora dos resultados do futebol ou até deixar de dar uma boa gozada na troika (os três últimos petistas da turma).

Mas naquele dia havia algo de diferente no ar.

Encontrar um clima belicoso não é raro mas já prestes ao confronto físico, uma novidade.

Desta vez a contenda era entre um investidor do mercado de futuros e um oficial de inteligência da segurança pública.

Tudo motivado pela Reforma da Previdência.

Pontos de vistas diferentes, discussão acirrada com réplicas, tréplicas e cada vez mais vozes exaltadas.

Disposto a apartar a iminente briga e imaginando que já haviam até ultrajado as honras das respectivas genitoras, perguntei o motivo para clima tão tenso.

Foi quando percebi que não precisava ser o juiz daquela paz.

Ninguém havia chamado o amigo (ou ex-amigo) por desagregadores epítetos, tais como: corno, viado ou fdp.

Xingar o outro de obtuso nunca iria mesmo terminar em vias de fato.

A harmonia voltou ao grupo.

Mas só até a próxima polêmica.

Sobre o autor

Domicio Arruda
Domicio Arruda

Médico urologista há mais de 40 anos. Foi Presidente da Unimed Natal, Diretor Geral do Hospital Walfredo Gurgel e Secretário Estadual da Saúde. Atualmente dedica-se ao ofício de avô em tempo quase integral.

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Domicio Arruda Por Domicio Arruda