ANALFABETA DIGITAL

A

Os smartphones foram muito além das expectativas de Steve Jobs.

O gênio das inovações tecnológicas não imaginou que sua criação fosse acabar com o analfabetismo. Pelo menos, do assunto, nunca tratou.

Hoje, iletrados, funcionais ou não, mandam suas mensagens faladas e o aparelhinho, acessível a quase todos, faz o resto.

Transforma palavra escrita em oral, vice-versa e não para nem nas barreiras dos idiomas.

O próximo avanço ninguém pode prever.

Quem há de saber se os modelos novos não terão um aplicativo para a psicografia e comunicação com os mortos?

Houve um tempo, (começo do Windows e antes do império da Internet) que poucos tinham acesso ao mundo maravilhoso dos computadores.

Amigo, em união estável com uma analfabeta digital (não desenhava no Paintbrush, um O com um mouse) era um bambambã dos teclados não musicais.

Sem redes sociais, ainda, tinha alguns amigos virtuais com os quais trocava mensagens.

Protegido pela ignorância total da parceira que nunca havia dado um enter sequer, resolveu compartilhar (termo a ser expandido no futuro) com um confidente cibernético, uma aventura extra-conjugal.

E tome pabulagem.

Depois de um dia daqueles, ao voltar pra casa, foi atraído (e traído) pelo brilho da tela do computador que tinha certeza, ter deixado desligado.

Exibindo a página mais picante da peripécia.

Uma amiga da mulher (que já há um tempão, andava meio desconfiada), fera na informática, fez o passo-a-passo.

Estória revelada tintim por tintim.

Foi assim que o relacionamento, não virtual, foi para o ciberespaço.

Sobre o autor

Domicio Arruda
Domicio Arruda

Médico urologista há mais de 40 anos. Foi Presidente da Unimed Natal, Diretor Geral do Hospital Walfredo Gurgel e Secretário Estadual da Saúde. Atualmente dedica-se ao ofício de avô em tempo quase integral.

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Domicio Arruda Por Domicio Arruda