Domicio Arruda

AutorDomicio Arruda

Médico urologista há mais de 40 anos. Foi Presidente da Unimed Natal, Diretor Geral do Hospital Walfredo Gurgel e Secretário Estadual da Saúde. Atualmente dedica-se ao ofício de avô em tempo quase integral.

IMPOSTO ECOLÓGICO

Nos tempos em que a escola era risonha e franca, não havia tampouco, concursos para acesso aos francos empregos.
Gestores públicos e barnabés em geral eram nomeados ao bel prazer, ou melhor, no belo gozo dos chefes políticos.
Estes escolhiam entre parentes próprios e seguidores mais fiéis.
De preferência de família grandes, de muitos eleitores.
Alguns ungidos mostravam logo cedo a vocação para o novo cargo.
Coisa de DNA.
Incorporavam, mesmo sem treinamento, todas as características do funcionário padrão.
De uma hora para outra passavam a saber tudo do novo oficio.
Tinham expertise de nascença.
Tanta abnegação quase deflagra uma guerra entre o novo coletor de impostos escorchantes e os fariseus de Nova Cruz que entre outros produtos, transitavam esterco de gado.
Caso resolvido somente na instância superior quando a chefa política recebeu de um fiel eleitor a pergunta fulminante:
⁃ Agora, até merda paga?

DE RODO

Na Assembleia realizada ontem à noite a diretoria da Unimed Natal fez barba, cabelo e bigode.
Contas aprovadas sem ressalvas, sinal verde para a megareforma do seu hospital e um orçamento de quase 1 bilhão de reais para 2019.
A Unimed Natal é a quarta maior empresa potiguar em faturamento

Raio-X Marketing Carratu Digital

ASSEMBLEIA DA UNIMED NATAL

Hoje é dia da Assembleia Geral da Unimed Natal, no anexo da sede social do América na Rua Ceará Mirim.
Desde o meio-dia os mais de 1400 médicos cooperados renovam o Conselho Fiscal da empresa.
Às 19 horas encerra-se a votação e a diretoria presta contas do desempenho de 2018. Os presentes decidirão o destino a ser dado às sobras de mais de 70 milhões de reais.
Rateio ou investimentos?
Nos planos da diretoria um mega projeto de ampliação do hospital próprio, orçado em 120 milhões.

DINHEIRO DE MEIA

Todo mês recebo da Caixa Econômica, um torpedo anunciando depósitos em uma conta de FGTS.
Semi-aposentado, já tendo raspado o tacho há muito tempo, andei procurando esse dinheiro extra que cairia do céu mas só cai no celular, sem nunca se converter em vil metal.
Depois de algumas idas às agências, soube que um alto funcionário do estabelecimento bancário teria condições de me ajudar.
Solícito, ficou de me informar como faço para botar a mão na bufunfa.
Mas nem o Sr. Oldemar deu jeito.
Ninguém sabe que mistério é o desse dinheiro que todo mês recebe juros e atualização monetária e ninguém consegue rastrear.
Estava pensando em recorrer ao Detetive do Fantástico mas agora com este canal, aproveito para apelar a qualquer um que possa fornecer uma pista que leve à elucidação do caso.
Faço um trato.
Ofereço uma proposta irrecusável.
Um rachid pra Queiroz nenhum botar defeito.
Dou de meia, todos os valores que me pertencem e estão entocados na Caixa.

QUE BUSETA É ESSA?

Por mais afinidades que guardem entre si, alguns idiomas têm palavras que podem provocar grandes confusões.
Foi o que aconteceu com uma cunhada em viagem pelo pé de serra argentino.
Num intervalo de congresso científico, resolveu visitar uma vinícola.
Na corrida, crente que motoristas de táxi são as pessoas mais abalizadas para discorrer sobre economia e política, começou um papo que logo se transformou em constrangimento.
Na conversa, uma palavra recorrente doía no tímpano.
Não era condizente para ser dita na frente de senhora tão ínclita.
Assédio explícito , pensou logo.
Tendo escapado do perigo, ao chegar ao hotel, tratou logo de telefonar para a companhia de táxi e registrar a queixa contra o insolente chauffeur.
De Campina Grande, o maridão quase pega o primeiro aeroplano para resolver, à parahybana, aquele desagradável incidente.
Anos depois, ao combinar um passeio com uma anfitriã de fino trato, ficou sabendo que a pornofonia que causou tanta revolta na Argentina era também usada na Costa Rica.
Em ambos e em todos os países que hablan español, microônibus é buseta.

UMA CAMA REDONDA DEMAIS PARA DOIS

Antes do Trivago e do Booking , reservas eram tarefas sempre solicitadas a algum parente ou amigo que morasse na cidade destino.
Foi assim que fizemos eu e um colega quando fomos para um estágio de reciclagem (não se falava em fellowship naquele tempo) no Hospital das Clínicas.
Tudo certo.
Um paulistano com sotaque e ares de quatrocentão, costumava passar férias em Natal, onde era paparicado por ambos. Seria nosso receptivo e cicerone na metrópole.
Uma questão de reciprocidade.
Ao nos apanhar, já no aeroporto, não demostrou a mesma simpatia que irradiava no sorriso franco quando passeávamos de buggy em beiras de praia e terras de Poti.
Parecia até que estava perdendo alguma coisa.
Como era domingo à noite, imagino, o show da vida.
Com pouca conversa, sem marcar nenhum encontro para depois, simplesmente nos deixou na frente do hotel.
E lá estávamos com malas e bagagens, numa calçada cheia de gente alegre, de um prédio decadente com portaria revestida de veludo escarlate.
Pouca burocracia e fomos levados aos aposentos.
Para nosso espanto, uma única cama.
Redonda.
Com baita espelho no teto.
Só conseguimos pernoitar à uma providencial distância um do outro, graças a uma cama de campanha que o porteiro arranjou depois de ter a mão molhada.
Até hoje desconfio que nosso amigo escolheu com esmero nosso pouso para que sentíssemos o impacto do que era a paulicéia.
Mais desvairada ainda adornada pelo neon e as luzes piscantes do Pink Motel.