CHEIRO IGUAL SÓ TEM UM

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Quando os problemas ainda não eram com os órgãos de proteção ao meio ambiente nem se temia a fatal concorrência dos chineses, os curtumes estavam preocupados em atender às normas técnicas do Ministério do Trabalho.

A atividade, sabidamente insalubre , era vigiada de perto por fiscais que notificavam as irregularidades e davam prazos para resolvê-las.

Depois de um exaustivo esforço para cumprir as exigências da fiscalização, todos estavam confiantes que na próxima inspeção, conquistariam conceito máximo.

O presidente da empresa que dividia seu tempo entre a indústria e suas fazendas no Cariri paraibano, estava presente quando chegaram os guardiões do bem-estar da classe operária.

Turma nova, chefiado por uma jovem. Pelo jeito, gente de fora

O chefe do clã e da empresa familiar decidiu, ele próprio, servir de cicerone no tour pelos diversos setores da fábrica.

Pensou que havia respondido a todos os questionamentos mas no final da visita, com aquele sotaque melodioso de carioca, a visitante reclamou de um determinado ambiente.

Persistia o forte odor nauseabundo e para aquilo, teria de ser encontrada uma solução.

A agente do governo ficou calada (portanto, deve ter concordado) com a explicação de quem começou na curtição mal saído da infância:

Minha filha, catinga de couro é como a de furico. Não tem quem tire.

Sobre o autor

Domicio Arruda
Domicio Arruda

Médico urologista há mais de 40 anos. Foi Presidente da Unimed Natal, Diretor Geral do Hospital Walfredo Gurgel e Secretário Estadual da Saúde. Atualmente dedica-se ao ofício de avô em tempo quase integral.

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Domicio Arruda Por Domicio Arruda