DOCE SANGUE

D

A intercambista adaptou-se muito rapidamente aos hábitos da família que a hospedou em Campina Grande.

De nada reclamava. Parecia gostar de tudo.

Principalmente da animação da cidade, da música de forró e das muitas festas por conta do período junino.

E da culinária.

Até já ganhara uns quilinhos a mais.

Comia de tudo e gostava em especial das sobremesas.

Depois de provada, uma iguaria que só de vez em quando era servida, virou seu doce predileto.

Tinha ainda alguma dificuldade com o novo idioma mas em pouco tempo, progressos na comunicação eram evidentes.

Interessou-se pelas receitas e passou a copiar todas que achava poderia reproduzir em sua longínqua Minnesota.

Depois de se empanturrar de chouriço pediu pra anotar o passo a passo do seu preparo.

Quando compreendeu que o principal ingrediente do seu manjar era sangue de porco, correu pro banheiro já com o emético dedo enfiado na goela.

E nem judia, a moça era.

Sobre o autor

Domicio Arruda
Domicio Arruda

Médico urologista há mais de 40 anos. Foi Presidente da Unimed Natal, Diretor Geral do Hospital Walfredo Gurgel e Secretário Estadual da Saúde. Atualmente dedica-se ao ofício de avô em tempo quase integral.

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Domicio Arruda Por Domicio Arruda