ENSINO ORDINÁRIO

E

De cavalo dado e injeção de graça não se olha o tamanho da agulha nem dos dentes. Doma-se no pelo e aplica-se até na testa.

O desinteresse do governo estadual pelas escolas cívico-militares é inacreditável. Inaceitável.

O secretário da educação justificou com a inadequação ao nosso modelo pedagógico.

Como se tivéssemos um.

Entra greve, sai paralisação e nunca se discute o assunto.

A ladainha de sempre, no disco de 78 rotações, não pede nada mais além de melhores condições de trabalho e aumentos salariais.

Estão aí os noticiosos das TVs, entre uma cena de agência bancária estourada e um assalto captado por câmeras de rua, a mostrar escolas tomara que não caia.

Difícil acreditar que não se deseje uma que se propõe a formar cidadãos com padrão de disciplina, respeito ao professor e à hierarquia.

O projeto apresentado prevê a integração dos ministérios da Educação e Defesa.

Professores civis, responsáveis pelas salas de aula. Militares atuando nas áreas de monitoria dos alunos, em atividades ensino-aprendizado e na parte administrativa.

A presença das forças armadas e o que representam para nossa economia, deveria ser argumento forte para a conquista de um dos 30 estabelecimentos a serem inicialmente implantados.

No país são 230 escolas militares. Pouquíssimas na região nordeste.

Ponto para reflexão.

Sem elas, nosso ensino tem sido melhor?

Nossos jovens têm iguais oportunidades de ingresso na carreira militar?

Em país que tem serviço obrigatório mas com apenas um ínfimo percentual de jovens convocados (o exército do crime organizado recruta muito mais), a oportunidade de acesso à carreira não pode sofrer preconceitos ideológicos.

Cuba e Venezuela que servem de modelo para muitos, além dos tradicionais colégios, adotam treinamento militar em todos os níveis escolares. Da creche à pós-graduação.

Só não vê quem não quer.

Nosso paquiderme estado, balofo, inerte e sem ânimo, entre tantas necessidades, precisa entrar em forma.

E de um líder que saiba comandar.

Que dê uma ordem.

Unida.

Ordinário, marche!

Isso se aprende na escola.

Sobre o autor

Domicio Arruda
Domicio Arruda

Médico urologista há mais de 40 anos. Foi Presidente da Unimed Natal, Diretor Geral do Hospital Walfredo Gurgel e Secretário Estadual da Saúde. Atualmente dedica-se ao ofício de avô em tempo quase integral.

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