GOLPISTAS NÃO PASSARÃO

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Confesso que tenho um certo fascínio por picaretas, trambiqueiros, golpistas e estelionatários de uma maneira geral.

E uma incrível capacidade de atraí-los.

Quando é só um golpezinho sem maiores consequências, tipo uma facada para descolar algum para remédios ou completar uma passagem de volta pro interior, quase sempre caio. Conscientemente, como um pato.

Já pisei em cheque que alguém na minha frente, em rua movimentada, deixou, caprichosamente, cair.

Na fila do banco, recusei convite de um senhor bem apessoado que havia notado uma pasta esquecida num canto e veio despertar minha curiosidade. E pedir cumplicidade para ver o que a mesma continha.

Não se aplicam mais contos do vigário como antigamente.

O perigo agora ronda as redes sociais e mensagens nos smartphones.

A última moda é uma ligação do serviço de segurança do cartão de crédito para confirmar uma compra, de valor elevado, que está sendo realizada naquele momento, em outra cidade.

Para o cancelamento da transação, pedem os dados bancários.

Com minha mulher foi fácil perceber a tentativa de fraude. Ninguém menos que o superintendente do Banco do Brasil era quem estava ao telefone.

Dia desses, atendi ligação que parecia de um call center de verdade. O operador igualzinho aos de todos telemarketings.

Muito educado, abusando bem dos gerúndios, não perdeu a paciência nem quando eu disse já conhecer o golpe.

Estou apenas realizando o meu trabalho, senhor.

Sobre o autor

Domicio Arruda
Domicio Arruda

Médico urologista há mais de 40 anos. Foi Presidente da Unimed Natal, Diretor Geral do Hospital Walfredo Gurgel e Secretário Estadual da Saúde. Atualmente dedica-se ao ofício de avô em tempo quase integral.

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Domicio Arruda Por Domicio Arruda