Mais Médicos: migração deixa déficit em equipes no RN

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O movimento de migração de médicos das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e da Estratégia Saúde da Família (ESF) para o Programa Mais Médicos tem causado déficit em equipes do Rio Grande do Norte.

De acordo com levantamento feito pelos Conselhos de secretarias municipais de saúde (Cosems), no Rio Grande do Norte, foram abertas 139 vagas após a saída dos médicos cubanos, 98 delas foram preenchidas por médicos que estavam nas equipes do programa ESF em outras localidades.

Mais Médicos
Mudanças no programa causa déficit em equipes.

Segundo a Comissão do Mais Médicos no RN, dos 98 médicos que migraram, 82 já atuavam no Estado e os outros 16 desempenhavam a mesma função em Estados vizinhos.

A saída dos médicos nas equipes das UBSs e ESF coloca em risco a permanência dessas equipes nas localidades que foram afetadas. Esse risco evidencia-se, principalmente, porque não há repasse de recursos pelo Ministério da Saúde para pagamento de salários.

O salário e a segurança que o programa oferece são os principais motivos para a migração dos médicos, tendo em vista que muitos desses profissionais são recém formados e procuram estabilidade para – na maioria do casos – pagar a dívida da faculdade.

No Mais Médicos o valor pago ao profissional é de, em média, R$ 11.865, enquanto no programa Estratégia Saúde da Família o médico recebe um valor inferior e ainda está sujeito a atrasos e descontos em folha de pagamento.

Além de um salário maior, o Mais Médicos oferece auxílio para pagar aluguel, transporte e alimentação. Esses fatores influenciam na migração de médicos para o programa federal.

A situação causa descontentamento em prefeituras dos municípios afetados, a saída dos cubanos tem deixado muitas prefeituras desassistidas e com dificuldades para preencher as vagas. Essa situação é mais frequente em cidades interioranas, onde a dificuldade de acesso torna-se um obstaculo para os profissionais.

Apesar de que o Ministério da Saúde tenha informado que o edital prevê regras específicas para os médicos que já atuam no programa Estratégia Saúde da Família, incluindo a que obriga um médico que decida migrar para o Mais Médicos a continuar em um município com perfil igual ou mais vulnerável, a pasta ainda não respondeu o que fará em relação às vagas que ficaram vazias.

Sobre o autor

Laurita Arruda

Laurita Arruda , jornalista e advogada, com opinião formada sobre (quase tudo), observadora da cena e único compromisso; respeito à verdade! #TLvive #novoTL

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