Porto corre o risco de virar uma narco plataforma

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Antes de terminar o quinto mês do ano já foram feitas três prisões de Cocaína que ia ser  embarcada clandestinamente do Porto de Natal.  E o Porto esteve sem fazer embarques regulares,  nesse período,  por mais de um mês, justamente pelo reconhecimento da facilidade com que estava havendo por ele tráfico de entorpecente para a Europa, que ameaçava não receber navios que escalaram aqui.

Por baixo, o total de cocaína aqui apreendida representa uma nota em torno de um Bilhão de Reais, ou cerca de 400 milhões de dólares. Poucas mercadorias aqui embarcadas regularmente, nesse período,  representam uma soma tão alta …

Mesmo com a movimentação de soma tão expressiva, não se sabe de uma única prisão realizada de responsáveis por operação tão complexa. O RN não produz uma grama de cocaína. Quem produz essa droga é Colômbia, Bolívia e Peru. Por isso é fácil se chegar a conclusão de que não foi na origem que o entorpecente foi acondicionado nos conteiners. A segunda etapa da operação embarque ou aconteceu na origem da carga regular, com a conivência do produtos de frutas; ou aconteceu durante o transporte da carga legal; ou no próprio no Porto.

Assim mesmo não se sabe de ter sido feita uma só prisão em qualquer uma das três etapas do embarque da mercadora:  1 – na fazenda de fruticultura irrigada;  2- ou dos transportares da fazenda para o Porto;  ou 3 – no próprio Porto.

Pelos volumes movimentados fica difícil mexer com tanto dinheiro sem chamar a atenção de ninguém, ou sem haver conivência de quem  participa de alguma fase da operação. Ao contrário do que acontece com as “mulas” (pessoas que transportam pequenas quantidade, inclusive para a Europa) ou dos vaposeiros locais, a Polícia parece perdida, assim como os gestores do Porto, sem identificar ninguém que esteja trabalhando para os traficantes.

A falta que o scaner faz

Do mesmo jeito que, no Século passado, qualquer problema do Porto de Natal era atribuído a presença da Pedra da Bicuda na Boca da Barra, dificultando a navegação e impedindo a chegada de navios de maior calado. A retirada da pedra demorou três décadas. A Pedra da Bicuda foi explodida e a maioria dos problemas a ela atribuídas continuam os mesmos.

Parecido com o que começa a se dizer da falta de um “scannner” (equipamento que permite a radiografia da carga a ser embarcada).

Certamente que  para pequenas quantidades, essa máquina será indispensável.

Mas, mas uma tonelada? – É igual a necessidade de Raio-X para identificar fratura exposta.

 

Sobre o autor

Cassiano Arruda
Cassiano Arruda

Jornalista e escritor.

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