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Rosa e azul: qual a cor do sistema sexista brasileiro?

É indiscutível a problematização em torno do vídeo “rosa e azul” de Damares Alves, a nova ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, que circula nas redes sociais. Ela afirma que é inaugurada agora uma “nova era” no país, em que “menino veste azul e menina veste rosa”.
As imagens foram feitas na quarta-feira, 2, dia da cerimônia de transmissão de cargo na qual Damares assumiu a pasta. No discurso de posse, Damares já havia afirmado que “menina será princesa e menino será príncipe”.
Mais que uma questão de moda, o discurso da ministra traz a tona uma sociedade sexista que ainda coloca pressão em relação aos papéis das pessoas. Mulheres e homens carregam funções especificas na sociedade e a segregação de cor e gênero gera preconceitos para quem insiste em pressioná-los.
A frase com peso histórico, carrega uma construção social que não enquadra-se mais aos modos de vida da sociedade atual. As lutas pela igualdade de gênero foram totalmente ignoradas pela ministra no momento em que ela segrega a sociedade em batalhões. Cada batalhão tem sua cor. Cada batalhão tem sua função. E onde fica a liberdade das pessoas?
A “nova era” é mais que uma distopia assustadora de uma sociedade sexista e preconceituosa. Parece piada estabelecer uma dicotomia de cor em uma sociedade que engajou diversas lutas pela igualdade, visto as bandeiras das causas feministas e LGBTQ+.
O discurso da ministra causou grande repercussão no Twitter e a hashtag #RosaeAzul permanece em primeiro nos trends do Brasil. Além da distribuição de memes da ministra na rede, os internautas ainda criaram outra hashtag sobre a ideologia de gênero associada a cor: #CorNãoTemGênero.
Apenas no inicio do mandato e Damares Alves já torna-se polêmica na rede. O que esperar dos próximos quatro anos? E, afinal, qual a cor do sistema sexista brasileiro?